Realizado simultaneamente ao 11º Congresso Espírita do Distrito Federal, o 1º Encontro Regional da Área da Família, aconteceu nesse sábado (18), na Legião da Boa Vontade, em Brasília. O objetivo era proporcionar reflexões sobre o papel das relações familiares no desenvolvimento integral do Espírito reencarnado. O evento contou com a participação: do médico psiquiatra Wesley Assis, da Associação Médico-Espírita (AME) de Goiânia; da pediatra Márcia Léon, da AME Planalto; e da psiquiatra Amanda Dairel, da Comunhão Espírita de Brasília.
Durante o encontro, Wesley Assis destacou a importância de compreender a dinâmica interna dos núcleos familiares. Segundo ele, esse olhar é essencial para que os trabalhadores da área possam oferecer orientação mais sensível e efetiva diante dos desafios apresentados.
Ao abordar a relação entre pais e filhos, Assis explicou que o ambiente familiar seguro começa pelo entendimento de que o Espírito, ao encarnar, está sujeito a múltiplas influências materiais, espirituais e às próprias tendências adquiridas em reencarnações anteriores.
Nesse contexto, não basta apenas exercer o papel de pai e mãe na criação. Segundo Wesley, “se um ambiente se limita à função, a criança não se desenvolve”. Para o palestrante, o fortalecimento de vínculos afetivos é fundamental, já que a educação se dá, principalmente, pelo exemplo.
O médico também chamou atenção para os riscos de desequilíbrios na condução da educação. Segundo ele, atitudes como negligência, permissividade excessiva ou autoritarismo podem contribuir para quadros de insegurança, ansiedade e dificuldades no desenvolvimento emocional e educacional.
Outro ponto enfatizado foi a construção da identidade da criança. De acordo com Assis, o estímulo por meio de reforços positivos fortalece vínculos, auxilia na superação de desafios e contribui para um desenvolvimento mais saudável.
"Não basta um grupo de família WhatsApp; é preciso reunir, ter interação”, destacou. Ele acrescentou que educar não significa oferecer tudo, mas o necessário para a formação do indivíduo. “A presença precisa ser real”, completou.
Acolhimento como prática
Como referência de postura, Assis citou a passagem de Jesus diante da mulher acusada de adultério, ressaltando que o ensinamento se deu pelo exemplo e pela indicação de novos caminhos, e não pela condenação.
Nesse sentido, destacou que o trabalho na área da família deve priorizar o acolhimento, a escuta e a orientação, sem julgamentos. A trabalhadora espírita Márcia Léon reforçou essa perspectiva ao afirmar que “a casa espírita não tem a função de diagnosticar, mas de acolher”.
Ao encerrar a apresentação, Assis ressaltou que os laços familiares são construídos tanto por vínculos de amor quanto por pendências de outras existências. Por isso, segundo ele, o trabalho na área deve ocorrer de forma integrada às demais atividades da casa espírita, contribuindo para o fortalecimento das relações.
Espaço de troca e reflexão
O encontro também promoveu uma oficina de diálogo, mediada por Assis e Léon, na qual os participantes foram convidados a refletir, em grupo, sobre modelos parentais e vínculos afetivos.
As discussões abordaram padrões comportamentais herdados e a forma como esses modelos vêm sendo mantidos ou transformados ao longo das gerações. Parte dos participantes avaliou o impacto de suas atitudes na vida de filhos e familiares, refletindo sobre a possibilidade de romper ciclos ou reproduzi-los.
As atividades evidenciaram um movimento de conscientização e mudança, mesmo entre aqueles que vivenciaram contextos familiares mais rígidos.
As reflexões propostas contribuíram para o entendimento de desafios recorrentes enfrentados pelas áreas da família nas casas espíritas, reforçando a importância do autoconhecimento e da transformação individual como caminho para a melhoria das relações.
(Simone da Silva)