Na tarde de sábado (18), segundo dia do 11º Congresso Espírita do Distrito Federal, os jovens palestrantes tomaram conta do palco. Com reflexões maduras e carregadas de profundidade, Marina Nina, Victor Hugo Menino e Gustavo Silveira dissertaram sobre essência, emoção e responsabilidade ao falar de saúde mental.
A jovem Nina explicou que somos Espíritos encarnados em uma jornada única, mas apenas na interação com o outro conseguimos desenvolver talentos, como a indulgência, a caridade, o amor e a paciência. Da inevitabilidade dessa relação, surge a comparação. “O outro me desafia a partir daquilo que ele mostra em mim, mas também da forma que eu vejo o outro, que eu enxergo a existência do outro. E é aí onde entra a possibilidade da comparação”, afirmou Nina.
A palestrante destacou que, quando temos Jesus como modelo, o dilema da comparação se torna mais brando. “Neste momento, terei clareza no sentimento e na razão de que a minha jornada não tem a ver com a forma como o outro trilha sua jornada. Eu não estou aqui para me assemelhar àqueles que caminham comigo. Estou aqui para que juntos possamos dar as mãos e nos fortalecermos mutuamente na caminhada de Espíritos imortais”, refletiu Nina.
O jovem Victor Hugo tratou da impulsividade e maturidade. De acordo com o palestrante, Jesus trouxe duas orientações para se alcançar a maturidade: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ao resgatar a alegoria de Adão e Eva, Victor Hugo explicou que há um desejo que domina sobre todos os outros, porque, mesmo tendo todo o paraíso, a gente ainda caminha pelo que falta. “O desejo pelo que falta marca a alma, porque nos faz movimentar sem a gente entender”, destacou Victor Hugo.
Ao ir para o deserto, Victor Hugo conta que Jesus foi tentado e, na tentação, três aspectos foram salientados: a nutrição, a posse e a proteção. “São três necessidades da alma e, quando a gente não compreende, pode buscar as piores escolhas para tentar dar conta de alguma coisa que falta”. Só Deus é capaz de ocupar esse lugar da falta no Espírito e, por isso, concluiu Victor Hugo, amar a Deus sobre todas as coisas é o maior desafio proposto por Jesus.
Por fim, o jovem Gustavo Silveira trouxe uma reflexão sobre a liberdade. Além dos questionamentos sobre se a liberdade existe ou não, Gustavo destacou que ter uma liberdade irrestrita pode significar que sabemos escolher, o que não é verdade. Prova disso é o frequente arrependimento após as escolhas. A questão que se põe, então, é: como fazer o melhor uso da liberdade possível? Para Gustavo, a resposta a essa pergunta se liga a outra pergunta: a quem estamos escolhendo obedecer? “Estamos sempre obedecendo a alguém e a alguma coisa. Fazer tudo o que se quer é ser escravo do desejo. Desejo esse que você pode influenciar, mas não pode comandar”, destacou.
Gustavo explicou que a pessoa que é capaz de exercer a liberdade de uma maneira digna, pura, é uma pessoa esclarecida. Nesse sentido, o verdadeiro esclarecimento é a purificação do sentimento. “Quanto mais sou capaz de purificar meu coração, mais sou capaz de escolher”. Gustavo arrematou afirmando que “o melhor uso da liberdade consiste no ato de escolher de acordo com o que me mantém livre”.
(Luana Karen)