Consciência culpada que se vincula a obsessores pode alterar a química cerebral, explicam psiquiatra e psicóloga
A psicóloga Ana Teresa Camasmie e o psiquiatra Thiago Aguiar uniram-se para apresentar o segundo tema da tarde desse sábado no 11º Congresso Espírita do Distrito Federal. Sob o tema "Obsessão ou transtorno mental? O discernimento que esclarece e protege", Ana Teresa deu início ao painel utilizando o livro “Autodescobrimento”, da benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, no qual ela aborda os transtornos mentais na perspectiva do Espírito imortal. Em seguida, Thiago Aguiar subiu ao palco para, em parceria com a psicóloga, esclarecer dúvidas sobre a relação entre o adoecimento mental e o exercício da mediunidade.
Para a benfeitora espiritual, o transtorno mental configura a repetição de processos adoecidos na condução da nossa encarnação, o que a questão 645 de O Livro dos Espíritos chama de arrastamento das más paixões. Somos atraídos por esses vícios e só conseguimos romper o processo à custa de muito cansaço. Porém, como a Lei de Deus está inscrita na consciência, a reencarnação vem com a proposta de reeducação do Espírito. “Os transtornos mentais nascem das nossas fragilidades repetidas que cronificaram. São uma expiação, assim como a cegueira ou a surdez”, explicou Camasmie.
Para além da hereditariedade (sempre existente em transtornos como bipolaridade ou esquizofrenia), da química cerebral desorganizada, das sequelas infecciosas, dos distúrbios socioeconômicos e das condutas reprováveis do passado, os transtornos emocionais são oriundos das nossas fragilidades emocionais. O adoecimento psíquico, portanto, é multifatorial: o corpo responde ao psiquismo do Espírito.
Segundo Ana Teresa, o transtorno mental denota o grau de distanciamento do indivíduo com as Leis Divinas. Esse se sente devedor, em processo de resgate. “É uma consciência culpada que busca tranquilidade”, afirmou. Para ser bem-sucedida em sua reencarnação, a pessoa deve buscar os mecanismos terapêuticos que proponham mudança de atitude interior e nova conduta mental, buscando uma existência útil.
O papel da obsessão
A obsessão não é causa do transtorno mental, mas consequência de uma consciência culpada que se afina com obsessores, causando o desequilíbrio da química cerebral. Thiago Aguiar ressaltou que somente a terapia espiritual não basta para lidar com a questão. Por ser um fenômeno orgânico, o transtorno mental não pode ser produzido por uma obsessão pura e simples. Há que haver predisposição.
Perguntado se a mediunidade pode produzir a loucura, se os fenômenos mediúnicos da visão e da clarividência podem levar à esquizofrenia, ele esclareceu que primeiro tem de verificar se existe ou não sofrimento na vida do indivíduo. Se não há impactos negativos, ou sentimentos de inadequação, trata-se de mediunidade e não de transtorno mental.
O uso de medicamento controlado não interfere nas reuniões mediúnicas, segundo o psiquiatra, se não vier acompanhado dessas vivências negativas que desestabilizam a pessoa. Ele fez uma ressalva importante: “adoecer psiquicamente não significa inferioridade moral. É preciso valorizar os trabalhadores espíritas, muitos dos quais vivem sofrimentos não verbalizados”.
Prevenção
Segundo o médico, todos somos passíveis de desenvolver um transtorno mental em algum momento da vida. A receita para preveni-lo é simples: exercício físico, boa alimentação, cultivo da espiritualidade e uso de medicamentos, se necessário. Já os fatores predisponentes para o adoecimento mental são família desajustada, estresse, excessos de toda ordem, falta de tempo para meditação, pensamento catastrófico.
Ana Teresa concluiu o painel dizendo que todos temos movimentos da alma adoecidos, pesos que carregamos que são um ninho para o transtorno mental. “O que nos protege desse adoecimento é reconhecer esses pesos que levamos e iniciar movimentos de autocura”, alertou.
(Ana Cristina Sampaio Alves)