O palestrante Adeilson Salles discorre sobre o tempo, as ilusões e o enfrentamento íntimo de nossos desassossegos
O grupo musical espírita Em Cantos abriu o segundo dia do 11º Congresso Espírita do Distrito Federal, harmonizando o ambiente e elevando os corações de todos os presentes no auditório principal da LBV. Em seguida, a poesia declamada "Espiritismo", de Casimiro Cunha, proporcionou momentos de emoção, lembrando os 169 anos de lançamento da obra "O Livro dos Espíritos", coordenada pelo Mestre de Lyon, Allan Kardec.
Nesse clima de reverência ao Codificador, o psicanalista, educador e escritor espírita Adeilson Salles iniciou sua exposição declarando que, se estamos hoje aqui, reunidos, muito devemos àquele momento singular quando o Edifício do Espiritismo foi erguido, momento este que transformou as nossas vidas e o nosso olhar para tudo o que nos cerca.
"Para que viver? A espiritualidade e a busca de sentido": este foi o tema abordado logo de manhã por Adeilson, que trouxe ao público reflexões a respeito da forma pela qual, na atualidade, estamos gerindo o nosso tempo, as nossas perspectivas e a nossa relação com os assédios da vida moderna.
"Temos a falsa impressão de que o tempo passa mais rápido, que o tempo mudou. Mas o tempo não mudou. O que mudou foi a nossa percepção de vida diante dos acontecimentos. E isso se dá em função das nossas emergências, da nossa ansiedade em buscar aquilo que o Mundo nos vende como proposta de felicidade, mas, no fundo, não nos atende e não nos completa", afirmou Adeilson.
Para exemplificar a importância de trilhar um caminho valoroso e lúcido para melhor viver, o palestrante fez referência à obra "Em Busca de Sentido", de Viktor Frankl, que foi prisioneiro em um campo de concentração. O autor, diante de todo o sofrimento vivido, diante das perdas de seus entes amados, chegou à conclusão de que o "sentido da vida é fazer sentido na vida do outro".
"Por vezes, escolhemos campos de concentração que nos aprisionam. O campo de concentração da mágoa, da inveja, da dor, da tristeza. O combo das emoções humanas fazem parte da nossa trajetória. Temos de ampliar o nosso olhar e nos compreender como seres imperfeitos. Porém, devemos nos permitir viver essas emoções, mas não estacionar nelas ou deixar que elas nos aprisionem."
Adeilson também aborda a questão do vazio existencial, esclarecendo que isso se dá quando abandonamos a nós mesmos e queremos ocupar um local que não é nosso e que está longe dos valores que dão sentido à nossa vida. O palestrante enaltece o Espiritismo como um instrumento de esclarecimento e amparo para ressignificar a nossa existência.
"O significado de nossa existência está em sermos úteis para aqueles que estão ao nosso lado. Nosso contato com Deus se dá na medida que eu tenho contato com o meu próximo, e a beleza da vida é caminhar junto com quem se ama. O Espiritismo corrobora com essa ideia! Jesus de Nazaré é o diretor desta Escola Planetária, Allan Kardec é o coordenador pedagógico. Ave Cristo!” — concluiu o palestrante.
(Cláudia Corrêa de Andrade)