Com a mediação da psicóloga Ana Tereza Camasmie, os jovens palestrantes Victor Hugo Menino, Marina Nina e Gustavo Silveira responderam as perguntas dos participantes do 11º Congresso Espírita do Distrito Federal, no encerramento do segundo dia de atividades.
A preocupação com os estímulos e as influências externas estiveram presentes nos questionamentos. Ao resgatar uma história pessoal sobre comparação enquanto fazia exercícios, Victor Hugo destacou que, frequentemente, as comparações dizem mais sobre quem incita do que com o alvo da comparação. Ou seja, quem olha para uma pessoa e diz que seria capaz de levantar mais pesos que ela numa academia, por exemplo, na verdade enfrenta questões pessoais pendentes, que podem ser com o próprio corpo ou com aceitação.
Nina destacou que o nosso ponto de partida para lidar com a comparação é ter a consciência de que ela vai existir e nos afetar. E, assim sendo, precisamos identificar em nós o que mais nos afeta. Se é o corpo físico ou a necessidade de validação intelectual, por exemplo.
Ainda sobre as comparações e influências, Gustavo Silveira ressaltou a necessidade de se ter convicção sobre o próprio valor. “É importante que eu me reconheça como filho de Deus, porque isso aponta para um destino que, no Espiritismo, a gente chama de pureza espiritual. Para eu não ser influenciável por pessoas, preciso saber das minhas fragilidades, das minhas fortalezas, das minhas potencialidades e do meu valor, senão vou sempre achar que o meu é ruim e vou sofrer a influência de alguém”, destacou o jovem, que ainda acrescentou: “Se fosse possível uma pessoa transformar a outra, Jesus já o teria feito por nós”.
Questionados sobre como lidar com sentimentos de superioridade no debate de ideias diferentes, Victor Hugo ponderou sobre o problema da cristalização da imagem do outro. “O problema da cristalização é que você nunca vai dar autenticidade ao melhor que o outro possa fazer. Quanto mais cristalizado, mais aversão, mais rivalidade, mais competitividade, menos diálogo, menos esclarecimento”, afirmou.
A plateia também perguntou sobre o que os pais podem fazer para ajudar os filhos a não entrarem em caminhos de sofrimento, como o uso de drogas e até o suicídio. Nina destacou que a infância não é apenas uma fase, mas é a estrutura a partir da qual nossa vida é construída. A jovem ressaltou ser necessário que pais, mães e responsáveis deixem de lado as expectativas para acolher os jovens. “É nosso dever que sejamos esse instrumento que faz com que o outro se sinta amado, não só na condição de responsáveis, mas também na condição de seres humanos”, ressaltou Nina.
Gustavo Silveira, que é pai de um bebê, falou sobre o que gostaria de ter recebido quando era criança. Para o jovem, o acolhimento dos pais, mães e responsáveis é o que faz diferença. Gustavo aconselhou aos pais que têm filhos na idade de ainda serem educados, como crianças, que tentem acolhê-los no erro e orientá-los depois que a situação passou. Já se o filho já estiver na adolescência ou na vida adulta, Gustavo sugeriu aos responsáveis conversarem com os filhos de forma aberta, falando dos seus sentimentos também.
(Luana Karen)